sexta-feira, 9 de maio de 2014

Rabiscos 

Nunca escrevi uma carta  que tu nunca  leste. Porque sei que não devo dizer muitas coisas que me apetecem. Escrevi e reescrevi vezes sem conta e quando a lia pensava: não é bem assim. Não posso lhe falar,  o melhor é apagar tudo e deixar o assunto esquecido. Mas enquanto tento dormir a carta aparece entre um livro., na cabeceira da cama, a folha  meio escrita e já tão rabiscada. Talvez o melhor seja falar-te quando te tenho a minha frente. Poderia, assim como quem não quer a coisa, pegar a tua mão, de mansinho, sobre a mesa, brincar com teus dedos entre os meus, falar do tempo, de outra bobagem qualquer, e  quando menos esperastes dizer-lhe  que não  é impossível. Talvez seja melhor escrever ou talvez seja melhor esquecer,  e se  não te escrevo, não te digo. Vou engolindo as palavras e falo do tempo, dos livros, da vida em geral, do tédio e  falo de tudo para não te dizer nada. Mas quando lhe tenho tão perto e minhas mãos brincam com teus dedos e nossas pernas se entrelaçam sob a mesa do jantar... 
Abhijeet

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