Rabiscos
Nunca escrevi uma carta que tu nunca leste. Porque sei que não devo dizer muitas coisas que me apetecem. Escrevi e reescrevi vezes sem conta e quando a lia pensava: não é bem assim. Não posso lhe falar, o melhor é apagar tudo e deixar o assunto esquecido. Mas enquanto tento dormir a carta aparece entre um livro., na cabeceira da cama, a folha meio escrita e já tão rabiscada. Talvez o melhor seja falar-te quando te tenho a minha frente. Poderia, assim como quem não quer a coisa, pegar a tua mão, de mansinho, sobre a mesa, brincar com teus dedos entre os meus, falar do tempo, de outra bobagem qualquer, e quando menos esperastes dizer-lhe que não é impossível. Talvez seja melhor escrever ou talvez seja melhor esquecer, e se não te escrevo, não te digo. Vou engolindo as palavras e falo do tempo, dos livros, da vida em geral, do tédio e falo de tudo para não te dizer nada. Mas quando lhe tenho tão perto e minhas mãos brincam com teus dedos e nossas pernas se entrelaçam sob a mesa do jantar...
Abhijeet
Nunca escrevi uma carta que tu nunca leste. Porque sei que não devo dizer muitas coisas que me apetecem. Escrevi e reescrevi vezes sem conta e quando a lia pensava: não é bem assim. Não posso lhe falar, o melhor é apagar tudo e deixar o assunto esquecido. Mas enquanto tento dormir a carta aparece entre um livro., na cabeceira da cama, a folha meio escrita e já tão rabiscada. Talvez o melhor seja falar-te quando te tenho a minha frente. Poderia, assim como quem não quer a coisa, pegar a tua mão, de mansinho, sobre a mesa, brincar com teus dedos entre os meus, falar do tempo, de outra bobagem qualquer, e quando menos esperastes dizer-lhe que não é impossível. Talvez seja melhor escrever ou talvez seja melhor esquecer, e se não te escrevo, não te digo. Vou engolindo as palavras e falo do tempo, dos livros, da vida em geral, do tédio e falo de tudo para não te dizer nada. Mas quando lhe tenho tão perto e minhas mãos brincam com teus dedos e nossas pernas se entrelaçam sob a mesa do jantar...
Abhijeet

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