Num país as vésperas de sediar
uma Copa do Mundo, a violência e a impunidade dominam descaradamente a terra
das mulatas e do futebol.
Dizem que brasileiro é um povo
amigo, pacífico e batalhador, mas pena não ter pleno senso crítico ao que diz
respeito aos seus próprios interesses. Massificados minuto a minuto por uma
cultura estrangeira, se entregam ao lúdico, utópico e desnecessário padrão
americano, que nada acrescenta na fundamentada e rica cultura brasileira.
O Brasil de Villa Lobos e Paulo
Freire, hoje é a terra de ninguém, que incentiva a procriação desordenada de
uma sociedade que tem como maioria uma classe analfabeta, androide, e vive a substituir a grandeza de uma gestação, por um cartão chamado bolsa família. Nas urnas, o voto é trocado pela cesta básica, numa entrevista ao vivo, o
entrevistado é furtado, num protesto, uma jornalista se revolta com o microfone, e
lamentavelmente pais e mães matam seus próprios filhos, como animais selvagens
que lutam por uma melhor sobrevivência.
Nas ruas, os bairros nobres
perderam sua identidade, as calçadas e
árvores, aos poucos, as crateras vão se abrindo e demolindo tantas histórias,
sem pedir licença derrubam vidas, desabrigam famílias e ganham título de
modernidade. Direito de ir e vir, onde?
Temos que pedir licença ao crack para caminhar, pedalar ou telefonar. As
livrarias e cinemas de rua? Quase extintos, agora criaram os shoppings!
Talvez isso possa explicar a era
Rivotril, no qual o crescimento demasiado das redes sociais, do isolamento, das crises de
depressão. Por outro lado, talvez ali, o mundo seja mais leve, poético,
abstrato, mas estabelecidos através de seus interesses mútuos, num grau de
amizade estabelecida por um simples click, criando um universo de “Poliana”,
com cutucadas que alimentam o “Mundo de Sofia” e assim vamos vivendo, cada um
com seu universo, sonhos e pesadelos, que aos poucos vão construindo e
narrando suas próprias “Brumas de Avalon” da contemporaneidade.

