terça-feira, 13 de maio de 2014

Num país as vésperas de sediar uma Copa do Mundo, a violência e a impunidade dominam descaradamente a terra das mulatas e do futebol.
Dizem que brasileiro é um povo amigo, pacífico e batalhador, mas pena não ter pleno senso crítico ao que diz respeito aos seus próprios interesses. Massificados minuto a minuto por uma cultura estrangeira, se entregam ao lúdico, utópico e desnecessário padrão americano, que nada acrescenta na fundamentada e rica cultura brasileira.
O Brasil de Villa Lobos e Paulo Freire, hoje é a terra de ninguém, que incentiva a procriação desordenada de uma sociedade que tem como maioria uma classe analfabeta, androide, e vive a  substituir a grandeza de uma  gestação, por um cartão chamado  bolsa família. Nas urnas,  o voto é trocado pela  cesta básica, numa entrevista ao vivo, o entrevistado é furtado, num protesto, uma  jornalista se revolta com o microfone,   e lamentavelmente pais e mães matam seus próprios filhos, como animais selvagens que lutam por uma melhor sobrevivência.
Nas ruas, os bairros nobres perderam  sua identidade, as calçadas e árvores, aos poucos, as crateras vão se abrindo e demolindo tantas histórias, sem pedir licença derrubam vidas, desabrigam famílias e ganham título de modernidade. Direito  de ir e vir, onde? Temos que pedir licença ao crack para caminhar, pedalar ou telefonar. As livrarias e cinemas de rua? Quase extintos, agora criaram os shoppings!
Talvez isso possa explicar a era Rivotril, no qual o crescimento demasiado das  redes sociais, do isolamento, das crises de depressão. Por outro lado, talvez ali, o mundo seja mais leve, poético, abstrato, mas estabelecidos através de seus interesses mútuos, num grau de amizade estabelecida por um simples click, criando um universo de “Poliana”, com cutucadas que alimentam o “Mundo de Sofia” e assim vamos vivendo, cada um com seu universo, sonhos e pesadelos, que aos poucos vão construindo e narrando suas próprias “Brumas de Avalon” da contemporaneidade.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Rabiscos 

Nunca escrevi uma carta  que tu nunca  leste. Porque sei que não devo dizer muitas coisas que me apetecem. Escrevi e reescrevi vezes sem conta e quando a lia pensava: não é bem assim. Não posso lhe falar,  o melhor é apagar tudo e deixar o assunto esquecido. Mas enquanto tento dormir a carta aparece entre um livro., na cabeceira da cama, a folha  meio escrita e já tão rabiscada. Talvez o melhor seja falar-te quando te tenho a minha frente. Poderia, assim como quem não quer a coisa, pegar a tua mão, de mansinho, sobre a mesa, brincar com teus dedos entre os meus, falar do tempo, de outra bobagem qualquer, e  quando menos esperastes dizer-lhe  que não  é impossível. Talvez seja melhor escrever ou talvez seja melhor esquecer,  e se  não te escrevo, não te digo. Vou engolindo as palavras e falo do tempo, dos livros, da vida em geral, do tédio e  falo de tudo para não te dizer nada. Mas quando lhe tenho tão perto e minhas mãos brincam com teus dedos e nossas pernas se entrelaçam sob a mesa do jantar... 
Abhijeet